Tradição popular e religiosidade tomam conta de Planaltina neste sábado

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Com 158 anos de história, a Festa do Divino Espírito Santo é um patrimônio cultural imaterial tombado da capital federal. É uma expressão da cultura popular e da religiosidade típicos de Planaltina, região administrativa mais antiga do DF. Neste sábado (19 de maio), acontece o momento mais importante dos festejos, o chamado “Encontro de Bandeiras”, unificando as chamadas “folias de rua e de roça”, depois de uma semana de uma programação intensa. Neste dia, o vermelho e branco, cores símbolos da festa, tomam conta da cidade.

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Às seis horas da manhã do sábado, que é o último dia da novena, cada paróquia organiza a saída de um ponto em sua circunscrição, onde é servido o café da manhã e às 7h são realizadas missas e os padres dão suas bênçãos para dar início aos chamados “giros”. Os cortejos seguem por toda Planaltina, com bandas, trios elétricos e muitos fogos em total celebração de fé. Enquanto isto, o grupo da Folia de Roça se despede do último “pouso” Fazenda Mantiqueira (Rodovia DF02 LESTE Km 3,9, Planaltina-DF) e saem em cavalgadas. São estimados cerca de 200 cavaleiros e amazonas.

Todos os grupos se encontram às 13h, na Praça São Sebastião (onde fica a conhecida e histórica “igrejinha velha”). Lá é selada a unificação e celebrado o sábado de Pentecostes, abarcando as Folias de Rua de todas as paróquias e a Folia de Roça. E união se celebra do melhor jeito, com boa comida servida em um almoço preparado por voluntários com doações recebidas, em um total manifestação de solidariedade.

Só neste dia são esperados mais de 10 mil pessoas, entre fiéis, moradores da região e turistas, totalizando 100 mil participantes ao todo nos 10 dias de programação (10 a 20 de maio). Neste período são realizadas missas, novenas, cavalgadas, procissões, cantorias e ladainhas e shows. Toda esta tradição é uma parceria entre a Igreja Católica e a comunidade.

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Além do caráter cultural e religioso, o evento movimenta a economia solidária, além de valorizar o turismo histórico riquíssimo da região de Planaltina. A Festa do Divino Espírito Santo tem realização daAssociação de Carreiros de Planaltina-DF e Entorno, uma associação privada, sem fins lucrativos que trabalha na produção de espetáculos do meio rural, e ainda apoio do Governo de Brasília, por meio da Secretaria Adjunta de Turismo

O rito

Por volta de quinze dias antes do Domingo de Pentecostes (e cerca de uma semana antes do início da semana da novena), a cidade se prepara para viver a festa. Postes e árvores são pintados de vermelho e branco, as cores do Divino. Os cavaleiros fazem seus ensaios, sempre marcado com muitos fogos, doces, bolos e salgados, café e bebida, patrocinados pelo eleito Imperador do Divino, que começa seu “ano imperial”.

Nove dias antes do Sábado do Divino (penúltimo dia das festas) começam as orações conhecidas como Novenas do Espírito Santo. O Imperador queima fogos pelo menos de madrugada, quando há Alvoradas, e depois de cada reza de novena, nas casas de moradores da cidade, já à noite.

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A unidade (Folia de Rua e de Roça) é selada no “Encontro das Bandeiras, o sábado de Pentecostes. No Domingo de Pentecoste a Procissão da Coroa aproxima-se da igreja matriz ao som dos sinos dobrando e do estrondo de vários fogos. Após esta missa, as pessoas que têm maior afinidade e interesse na festa (os que desejam pagar uma promessa, por exemplo), participam, na sacristia da igreja, do sorteio dos “encargos do Divino” para o ano seguinte.

Folia de Rua

Assim denominada as celebrações na cidade de Planaltina, tudo começa com as novenas que acontecem em 13 paróquias e capelas início das comemorações realizadas em 13 paróquias e capelas (entre elas as Paróquias Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Nazaré, São Vicente de Paula, Divino Espírito Santo e São Sebastião e Capelas Santa Rita Murialdo, Imaculada, São Francisco e São José), além de 100 casas da região (noveneiros). Durante os nove dias, há missas com rituais diferenciados como a entrada dos imperadores e foliões de rua. O grande encerramento acontece dia 19 de maio com o “Encontro das Bandeiras”.

Este ano, dois grandes shows de música Católica integram a programação na praça São Sebastião. Davidson Silva sobe ao palco dia 18 de maio (sexta-feira), a partir das 22h, com grandes sucessos de louvor. Para encerrar todas as celebrações da Festa do Divino, o último dia dos festejos (20 – domingo) conta com a voz de Celina Borges para um momento de muita adoração da artista com 30 anos de carreira, inclusive tendo gravado ao lado do Padre Fábio de Mello.

Folia de Roça

Na zona rural, ou seja, na “Folia de Roça”, a festa segue por uma dinâmica diferente, sempre com todos paramentados de lenços vermelhos no pescoço e divisa (espécie de broche) nas blusas. A Alvorada (primeiro dia de folia) acontece na fazenda do Alferes (responsável pela festa). Nos “pousos” (fazendas antifriãs), os foliões jantam, tomam café, assistem às missas pela manhã e almoçam, sempre de forma gratuita, arcada com doações. Nestes pontos, acontecem também as cantorias e ladainhas, um dos maiores símbolos da festa, feitos por instrumentistas, rezadores e foliões antigos. Para mudar de um pouso a outro, seguem as cavalgadas que podem chegar a 25Km de distância.

Transformação

Mesmo preservando suas raízes, a Festa do Divino precisou acompanhar as transformações sociais. Antes, os cortejos eram reservadas apenas aos homens, mas aos poucos as mulheres foram conquistando seu espaço. Este ano, quem encabeça a organização com o título de Alferes é a jovem Maria Eduarda Gratão, de 16 anos. As tradições fazem parte de sua família e ela participa desde que tinha 3 anos de idade. Para tamanha responsabilidade, contará com o apoio da mãe Weslia e outros parentes e amigos.

Para saber mais

A Festa do Divino é uma manifestação cultural religiosa, tradicional e popular. Ela recorda a descida do Espírito Santo sobre os 12 apóstolos de Jesus Cristo, em Pentecostes, sete semanas depois da Páscoa.  A origem remonta às celebrações religiosas realizadas em Portugal a partir do século XIV, nas quais a terceira pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes coletivos designados aos pobres. Essencialmente de caráter comunitário, a Festa do Divino é uma celebração em que a doação – de bens ou de trabalho – é fundamental, já que seu espírito é de promover comunhão e partilha, quando quem tem, doa, e que nada tem, recebe de graça.

A crença no Espírito Santo é reconhecida como um dos principais focos das formas de espiritualidade popular do Centro-Oeste. Segundo pesquisas históricas, a Festa está intimamente ligada ao período da mineração de ouro e se conservou especialmente nas velhas cidades goianas do século XVIII, sendo rara e pouco solene nas cidades que foram fundadas depois do ciclo do ouro.

A celebração cria um sistema de hierarquias que ressignificam as regras sociais locais. A escolha dos encargos do Divino obedece aos rituais de um sorteio solene. Assim, a Festa do Divino instaura uma transformação não apenas na vida da sociedade local como também na vida pessoal dos participantes. Redefinem-se, a partir da organização de sua festa, as relações de lealdade de grupos, categorias e classes, dando lugar a dos fiéis, dos súditos do Imperador do Divino.

SERVIÇO

Festa do Divino Espírito Santo de Planaltina

Data: 10 a 20 de maio de 2018

Local: Planaltina-DF

Entrada: Gratuita

Classificação indicativa: Livre

 Shows

18/05 – Davidson Silva

20/05 – Celina Borges

Gratuitos, sempre às 22h na Praça São Sebastião, Planaltina-DF

Ponto alto

Encontro das Bandeiras

Data: 19/05

Procissões pela cidade com encontro às 13h na Praça São Sebastião, Planaltina-DF

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