O TERCEIRO GOL DO GABI GOL!

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Ontem(23), contrariando um dos mais sagrados dogmas botafoguenses, eu torci pelo Flamengo. Justificando a princípio porque era contra a Argentina, e ainda por cima contra o time das elites portenhas, assumi essa transgressão. Até vesti, como manda nosso caráter supersticioso, uma camisa vermelha para ajudar. Uma amiga vascaína que esteve comigo pode testemunhar isso.

Lá pela metade do segundo tempo, no entanto, comecei a fraquejar. Lampejos da perspectiva de zoar com a morte na praia dos flamenguistas me seduziam, desafiando a firmeza daquele propósito inicial, inusitado. Cheguei a abandonar a TV para fazer um café, considerar a oportunidade de me redimir com minha alma botafoguense, mas não funcionou. Tanto que, ao perceber que a camisa estava do lado do avesso, tirei e vesti de novo para corrigir.

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Instintivamente, eu estava abraçando uma causa maior, que era a necessidade da mulambada ter uma vitória que fosse, para assegurar um mínimo de moral diante das tantas maldades impostas pela conjuntura na vida real, uma sequência sem fim de rebaixamentos como cidadãos, como trabalhadores, como pessoas realmente de bem, que o povo comum sempre foi. A cada dia, é anunciada uma retirada de direitos, imposto um novo sacrifício, aumentada a sua pobreza, uma tragédia lhes tira a vida, por negligência dos poderosos.

Para resistir, o povo precisa de alguma vitória também, senão, atrofiam-se a força de vontade e a coragem para o enfrentamento. E uma vitória de virada é o mote da superação. Vamos lá, torci eu! Chuta de longe! Finaliza, porra! Aí veio o empate! E logo em seguida o segundo gol! Ganhamos! Ganhamos! Comemora, Flamengo! Lava sua alma nesta vitória aguerrida!

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E para referendar exemplarmente a minha tese, e gratificar de sobra meu sacrifício de botafoguense, a cena final do Gabigol expondo o governador fascista à humilhação extrema diante das câmeras. Foi o terceiro gol dele na partida! Pra mim, o mais importante.

Por: Julio Mariano, Chargista Carioca.

Foto: Revista Veja

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