A Mangueira fez história e ser campeã virou detalhe!

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Confesso que como muitos, esperava a Mangueira de 2020 mais como a Mangueira de 2019. Fui incapaz de emitir qualquer opinião sobre o desfile pelo qual estive extremamente ansioso desde quando enredo e samba foram anunciados ainda em 2019.

Não, Mangueira não esteve na avenida pra repetir o feito de 2019. Nem acredito que Leandro Vieira esteve preocupado com isso.

Mangueira, claro, passou na avenida pra conquistar o título do Carnaval Carioca 2020. Mas este não foi seu principal objetivo com “A Verdade vos fará livre “.

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Mangueira foi a avenida dizer algo. Foi falar diretamente, sem dar recado, a todos aqueles que usam da imagem de Cristo pra garantir Poder através do ódio e da ganância. Mangueira foi pedir basta a intolerância, ao preconceito, a violência, e desigualdade contra negros, índios, lgbts e pobres.

Mangueira exerceu com Maestria sua função social de ser muito além de bela e deslumbrante na avenida. A voz da Mangueira ecoou pelos becos e vielas do Buraco Quente e de Paraisópolis.

Leandro Vieira deu uma aula sobre Teologia: a única face de Cristo é o amor.

Choca ver uma Rainha de Bateria como Evelyn Bastos (esta sim, uma das poucas atuais digna do título que ostenta) abdicando-se de fazer o quê ama que é sambar a frente da Bateria, pra interpretar com maestria o Cristo na pele da mulher preta.

Choca ver Orixás sendo crucificados assim como foi Cristo, por representarem a fé afro brasileira, marginalizada pela intolerância religiosa.

Choca ver o Cristo tal como a imagem pintada por Leonardo Da Vinci apanhando da Polícia por ter hábitos semelhantes a de qualquer jovem periférico hoje em dia.

Choca saber que a sociedade crucifica o Cristo, e craveja seu corpo de bala, todo santo dia, na pele de qualquer garoto pobre, de cabelo platinado e pele preta nos morros do Brasil a fora.

Tudo isso choca muito mais do que uma Mangueira mais retida, como se rezasse baixinho, falando diretamente com todas as faces do Filho de Deus.

Talvez, diante de nossas próprias hipocrisias, tenha sido difícil enxergar nossas próprias iniquidades. Afinal Cristo não morreu pra nos salvar de nossas iniquidades, ELE FOI MORTO POR ELAS. E a Mangueira jogou na nossa cara que se estivesse em Terra, TERIA SIDO MORTO DE NOVO.

Mangueira nem precisou pra ser lacradora pra ser épica. A reza quase em silêncio do samba da Mangueira ensinou muito mais em 1h10min de desfile do que ir todo domingo a missa ou ao culto com a falta do verdadeiro Cristo no coração. Cristo estará sempre no olhar de todo semelhante que tratamos com amor, sem barreiras, preconceitos ou “mitos”.

Mangueira fez história e ser campeã virou detalhe.

Por: João Henrique Senna, Assistente Social e Educador Ceilandense.

Foto: Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.

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